quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A Rainha





Nomeei-te rainha.
Há maiores do que tu, maiores.
Há mais puras do que tu, mais puras.
Há mais belas do que tu, há mais belas.

Mas tu és a rainha.

Quando andas pelas ruas
ninguém te reconhece.
Ninguém vê a tua coroa de cristal, ninguém olha
a passadeira de ouro vermelho
que pisas quando passas,
a passadeira que não existe.

E quando surges
todos os rios se ouvem
no meu corpo,
sinos fazem estremecer o céu,
enche-se o mundo com um hino.

Só tu e eu,
só tu e eu, meu amor,
o ouvimos.

Pablo Neruda



domingo, 23 de dezembro de 2012

Aparências




Não carrego a beleza das flores em meu exterior, 
mas possuo a essência do instinto em minha alma
sentida no aroma de minha pele  e comprovada no sabor de meu corpo.




quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Feliz Natal

Nota Natalina

Não costumo comemorar o natal da forma com que a mídia propõe. Minha criação foi assim, sem comemorações de fim de ano. Admiro muito as famílias que neste dia confraternizam com parentes que vêm de longe e tudo mais... Porém, talvez pela realidade de muita gente não ser esta (inclusive a minha), não me preocupo como minhas amigas que ficam de um lado para o outro com as 'compras de natal'. Vocês podem me condenar pelos meus filhos, mas diante de tudo o que já passamos, só o fato de estarmos vivos, saudáveis e juntos, satisfaz-nos. Todos os dias festejo o nascimento, morte e ressurreição de Cristo. Eu o amo!
Entretanto, este é o meu modo de viver, e por não ser o da maioria das pessoas, quero desejar a todos que comemoram o Natal: Um Feliz Natal!



E para não fugir do foco 'Deliciosa Ilusão':


Aproveitem cada minuto de suas vidas! 
Carpe Diem






quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Despertar




Quando tenho vontade de parar o eu
e sinto seu cheiro-
Ah seu cheiro!
Que cheiro!-

Esse cheiro que me enlouquece
e me apetece
fazendo com que minha vontade de parar cesse
arrepiando todo meu corpo
instigando o instinto adormecido
aflorando a vontade de te ter
despertando sonhos enegrecidos
novamente queridos em meu ser.

Retorno à vida!






sábado, 8 de dezembro de 2012

Desprezo






O desprezo dói.
Corrói.
Faz-nos sentir um nada diante de tudo.
Um grito de dor ecoa por dentro
neste momento
que parece eterno.
Lamento.
O desprezo dói.



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Coragem para Amar




Preciso de sua presença nesta atmosfera incandescente e quente.
O calor sufoca-me e instiga a vontade de jorrar todo meu eu!
Mas como? Se tu não estais aqui.
Nada me estimula,
nada adentra meu instinto,
além da vontade voluptuosa de te encontrar.
Mas onde estais?
Nossos olhares precisam, além de trocados,
serem molhados com beijos salivados de desejos
e concretizados com ardor.
Venha junto com teu olhar,
venha junto com teu desejo,
venha através de meu chamado aromatizado de prazer,
através de meu cheiro, de meu olhar, de meu corpo, de meu calor.
Venha, antes que nosso mundo tenha um fim,
antes que o frio chegue e resfrie nossa avidez!
Antes que o desejo de termos um ao outro acabe.
Nada de formalidades, só desprendimentos para nos amarmos sem reservas.
Apeteço-te demasiadamente!
Tome coragem e venha!






sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Noite Eterna

A noite está tenebrosa!
A chuva cessou.
O silêncio domina a atmosfera fria,
enquanto em meus pensamentos
reminiscências distantes misturam-se
aos fatos recentes.
Entristeço-me.
A noite invadiu-me,
o medo do que está por vir cerca-me
como o ar que envolto está.
Algo sobrenatural doma meu ser
e escorre pela face
embaçando minha visão.
Prostro-me.
Em soluços por tantas lembranças
homogêneas a um vazio profundo, vejo-me.
Adormeço em uma escuridão noturna eterna.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Chuva Quente



Embaixo da chuva, encontramo-nos.
Sob pingos fortes, abraçamo-nos.
Mas quem de nós daria importância a tais gotas
se em nosso interior um oceano de desejos
formava um ciclone de paixão?
Toda umidade corporal 
nada era diante do suor 
de nossa ânsia voluptuosa 
e da saliva que produzíamos ali,
bem ali, embaixo da chuva.

sábado, 24 de novembro de 2012

Morte Amante


De que adianta ter em mim você
se não posso ter você em mim?
De que adianta sentir seus braços por instantes
se estão, quase sempre, distantes?
De que adianta doar-lhe completamente o meu eu
se não pode ser totalmente meu?
De que adianta um amor sôfrego
contudo, solitário e ermitão que mendiga o seu?
De que adianta momentos tão intensos
em que nos fundimos um no outro
vulcanizados, ardentes, unos
se ao nos separarmos você vai em outros braços repousar?
Não, não dá.
Nada adianta, só retarda.
Assassina minha essência lentamente
desilude-me de mim mesma.
Aos poucos vou morrendo.
Está doendo.
Todavia, não adianta mais.



sábado, 17 de novembro de 2012

Essência Roubada




Por entre a névoa da noite, apareceste,
fascinou-me com teu olhar,
envolveu-me em teus braços
e sugou minha existência.

Assim como vieste, foste
desaparecendo na noite
com minha essência
imersa no sangue que sorveste deste cálido corpo.

Vida? Vida não tenho hoje
perambulo alma penada
pois em ti foi levada
e entranhada em teu eu,
meu vampiro insano,
volte e devolva-me o ser.

Eu preciso viver...



sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Selinho Dardos

Recebi de minha linda amiga blogueira Vanessa Barbosa do blog Divina Feminilidade, este selinho do prêmio Dardos.


"O prêmio Dardos destina-se a reconhecer os valores demonstrados por cada blogueiro diariamente durante seu empenho na transmissão de valores culturais, éticos, literários, pessoais etc., demonstrando, em suma, a sua criatividade por meio do seu pensamento vivo que permanece inato entre as suas palavras”.


Obrigada, Vanessa pelo carinho. 
Bjoks deliciosas.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Solidão


O suor que outrora escorria em meu corpo por você, esvaiu-se pela ausência,
em sequidão estou.
A frieza que dantes estava no olhar alheio,
hoje penetra-me a alma provocando um abismo,
sinto solidão.






domingo, 11 de novembro de 2012

Libido

Seus olhos me chamam.
Seu corpo me atrai.
Seus braços me envolvem
me protegem,
me querem,
me instigam!
Suas mãos fortes me seguram,
me domam,
me guiam,
passeando em meu corpo
deslizando dos pés à cabeça,
em curvas sinuosas,
enroscando-se em meus cabelos
que uivam prazer
pelo gemido da boca
salivando avidez,
libido,
fome,
Você!




sexta-feira, 9 de novembro de 2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Conquista



Conquista-me!
Entretanto, não conquiste unicamente meu tesão,
conquiste o meu coração!
Mais ainda, conquiste minha razão.
Assim, por onde eu seguir,
você estará em mim não por ônus, mas por amor.
Não por ter que ser, mas por, simplesmente ser.
Por um amor irracional racionalizado,
por um querer além do querido,
por um desejo transcendente à matéria.
Contudo, estará em mim sem imposição,
mas por ser parte essencial de mim.
Conquista-me!




segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Sorrito Maroto



Hoje ao chamar a atenção de um aluno
fui surpreendida pelo riso maroto de outro
o qual era o dono do caderno que eu corrigia.
Faceiro, riu-se muito de mim,
mas de uma maneira tão gostosa!
Que ao invés de chamar-lhe a atenção
abracei-lhe, beijei e apertei suas bochechas
Que delicia!
Foi um momento ternura
em meio a uma tensão da língua portuguesa.
Fiquei desconcertada, porém feliz!


















quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Calor



Enquanto em meu rosto escorre o suor de um dia ensolarado
em meu interior irrompe o desejo de tê-lo por dentro.
Calor!








quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Existência Paradoxal






Desfilando pela rua, assobios
balançando o cabelo, sussurros
sorriso discreto, linda
sorriso tímido, cativante
passos seguros, elegante
olhar sexy, atraente.

No interior, vazio.
Na varanda, reflexão.
Em casa, silêncio.
Na sala, vazio.
Na cozinha, frieza.
No quarto, solidão.

Sou ou não sou?
Não sou.
Nem serei.
Eu fui.

sábado, 20 de outubro de 2012

Anjo - Sofreguidão Humana


Sol.
Desperto.
Labuto.
Lapso.
Suspiro.
Vivo.
Revivo.

Lua.
Vou.
Volto.
Vou.
Revolto.
Multiplico.
Apeteço.
Sofreguidão.

Calmaria.

Meu anjo chegou!
Adentrou e eternizou.




sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Penetração




Penetra-me mesmo à distância
com seu olhar
adentra meu corpo
aguçando meu paladar
acelerando meu coração
arrepiando os sentidos
borbulhando o estômago
salivando o instinto
pulsando os lábios
vibrando as pernas
ocultando a razão
lançando-me às nuvens devaneantes 
que jorram meu prazer
múltiplas vezes...

Penetra-me! 

Penetra-me o querer
com fúria!
Sem se doer
na sanidade do ver
o almejo de nosso 'eu'
em uma penetração
além da imaginação
repleta de tesão.

Penetra-me!




quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Amor eterno




Ele veio.
muitos não me ouviram,
não me enxergaram,
não me acreditaram,
desprezaram-me,
mas ele veio.
Procurei em tantos,
confiei em falsos,
doei-me a insensíveis,
mas ele veio.

Chorei,
sorri,
deitei em seu colo
senti carinho
reciprocidade
porque ele veio.
Acolheu-me
acariciou-me os cabelos,
elogiou-me a aparência,
o sorriso entre as lágrimas,
afinal, há anos não nos víamos,
mas ele veio.
Os seres atuais são insensíveis
egocêntricos e insanos,
mas veio.
Apesar dos anos,
da idade,
das rugas,
do tempo,
ele provou com atitudes que amor
não acaba,
ele fica reservado em um cantinho
enquanto os coadjuvantes vão passando.
Ao saber de minha dor,
ele veio.
Provamos que o amor vai além do sexo,
e que a vida pode separar os corpos,
mas não o sentimento.
Ele veio,
mas teve que voltar.
Deu-me por instantes, proteção
mas regressou à sua realidade
apesar de me amar
teve que se afastar..
Mas, pelo menos ele veio.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Depressão




'Alguém quer me parar, estou prostrada,
mas vou levantar e provar para tal pessoa
que estou aprendendo no tombo, a viver.
No passado, tentei contra minha vida,
mas hoje tento viver.
Não é fácil, tenho vontade de desaparecer!
Mas não posso ser ingrata com Deus,
preciso viver'.



sábado, 6 de outubro de 2012

Traição, um ato inconcebível!


Peço, que deixe sua opinião ao terminar de ler meu texto/desabafo. Preciso muito de sua opinião. Comente, por obséquio.





Se existe o amor entre homem e mulher, talvez, penso que sim, raríssimo, mas sim..
Sei que há entre ambos uma paixão avassaladora
ou uma cumplicidade que a rotina e o comodismo
paira uma satisfação por estar assim e daí pensam:
- Pelo menos eu tenho um marido (esposa).
Fico desapontada em constatar que tal discurso 
serve uma pequena minoria que aceita o seu cônjuge
tal como é, sem buscar na 'rua' o completar dessa relação.
Quanto a maioria, sem muito a justificar, vai em busca
de aventuras, de carne fresca, de presas fáceis, ou até de atenção.
Conheci um homem que realmente amou, algo incomum, mas amou.
Amou tanto que se entregou à esposa de corpo e alma por anos, 
enquanto ela, uma mulher que ampliou seu mundo após se formar
em um colégio técnico, traía esse marido com um homem mais novo.
Ao descobrir os fatos reais o marido enfartou e faleceu. Ela,
assumiu o tal relacionamento com o novinho dias depois enterrar o marido
(eu estava presente).
Não basta pensar em filhos, eles devem entender!
Precisa-se dialogar com eles, saber dosar o que dizer,
não mentir, mas às vezes, omitir determinados assuntos.
Crio sozinha os meus adolescentes há 9 anos,
estou formando dois homens íntegros, 
estudiosos e críticos para saberem fazer suas escolhas, pois o 
ensinamento e o aconselhamento eu dou, uma vez que o pai os deixou
ao nos divorciarmos, cabe a eles refletirem no que é o melhor para
eles dentro da sociedade.
Essa desculpa de que tem os filhos, só 'cola' se cada um não tiver a 
responsabilidade e a capacidade de cumprir seu papel sozinho de pai ou mãe.
Manter casamento por aparência é ridículo!
Pôr filho como desculpa é covardia!
É cômodo comer em casa e diversificar na rua!!!
A questão do orgasmo não é tão ruim, tenho percebido que com a rotina
o homem quer uma rapidinha, a mulher só abre as pernas e diz: -Vem!
Isso quando a mulher está saturada, porque quando eu era casada
meu marido tinha que aguentar mesmo dormindo as minha alucinações,
afinal eu o respeitava e não queria traí-lo, pois era meu companheiro, mesmo
com todos os seus defeitos, afinal eu também tenho os meus!!!
Ele era o meu 'consolo'...ele ria muito disso!
Muitos homens traem porque está no instinto sem vergonha deles,
não há desculpa, a esposa é excelente dona de casa, amante, mãe,
companheira, cúmplice, todavia o canalha do marido quer diversificar,
não digo só os maridos, as mulheres também, traímos por vingança, 
devido à um telefonema mal explicado, um olhar de cobiça, um cheiro diferente, etc.
Por mais motivos que haja para traição, o melhor é a separação!
Estamos falando de seres HUMANOS e não de objetos.
Depois, alguns machões dizem ser estudiosos do comportamento humano,
dizem saber o que estão fazendo, e sabem o resultado disso?
Desvalorização do Ser Humano quanto pessoa, 
desvio de personalidades, transtornos, depressão,  
homicídios, suicídios, distorção de valores e 
até terapias, quando têm consciência de que algo não vai bem,

Caros leitores, amo escrever sobre sentimentos, sejam sensuais ou eróticos
através de contos e poesias, mas precisava desabafar com vocês esse sentido
pejorativo que muitos estão dando à vida conjugal ou amorosa.

Gostaria que cada um deixasse aqui seu parecer quanto a isso, não estou pedindo para me apoiarem, mas para comentarem suas ideias sobre o assunto. Aqui não há retalhações, só desabafos. Obrigada, meus amores.











sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Essência Mística Noturna





No silêncio dos vistos urbanos
sofro a petição de meu instinto
procuro a presa
não aceito qualquer uma
tem que me satisfazer
desde o olhar até o penetrar.
Sob um luar suspeito e evasivo
banho-me de desejos.
Na plenitude orgástica
perco-me
e retomo depois dos vários,
a vida.

domingo, 30 de setembro de 2012

Delírio Oculto





No silêncio dos vistos urbanos
sofro a petição de meu instinto
procuro a presa
não aceito qualquer uma
tem que me satisfazer
desde o olhar até o penetrar.
Sob um luar suspeito e evasivo
banho-me de desejos.
Na plenitude orgástica
perco-me
e retomo depois dos variantes e viajantes
Imaginados nos sentidos,
a vida.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Amor de Alma




No céu partículas parecem se mexer formando o azul
a junção dá a ilusão visual da cor.
Em mim gotas caem de sua existência
sob a ciência sabida que você subsiste
formando um oceano de esperança
em busca de um amor puro, além do instinto
um amor de alma
de cuidado
de zelo
de proteção.
Um amor correspondido, mútuo.
Um amor nosso,
anímico.

sábado, 22 de setembro de 2012

Ausência Presente




Era para ser
desejamos,
marcamos,
mas, só era para ser.

Toque,
beijo,
carícias,
erupção pujante
mas, só era para ser.

Meu corpo
em seu corpo
seu corpo
em meu corpo
minha mente em você
e sua mente vagueando
pelo então desconhecido.

Meus olhos procuravam os seus
os seus estavam à procura
mas, não dos meus.

Nessa busca
encontrei a razão
e nela me perdi
porque só era para ser
entretanto, não foi.

No regresso,
dois corpos perdidos
eu em você
você em algum lugar
mas, não em mim.

Era para ser.
Mas não há ledice
se não houver cumplicidade.
E só há cumplicidade
quando ambos se encontram
ou se perdem em recíproca mútua
com a mesma avidez.

Era para ser.




quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sofreguidão Erótica



Lugar ermo.
Grilos cantam
enaltecendo o momento
abrilhantando o silêncio
encantando-nos
enquanto as estrelas piscam
festejando nosso encontro.
Olhares.

Os braços encontram-se
as mãos entrelaçam
os corpos se atraem
as bocas se chocam
língua nos lábios
lábios na língua.
Beijos.

As pernas roçam
sobem
descem
cruzam
flexionam-se 
instigando a umidade.
Abraços.

Roupas caem
pescoços lambidos
orelhas mordidas
seios sugados
umbigo atraído.
Sucção.

Não se ouvem os grilos
não se veem as estrelas
não há mais silêncio.
Gemidos,
gritos
o vai
o vem
sem tempo para destravar.
Erógenos.

Os corpos unos pelo instinto selvagem
guiados pelo desejo 
acariciados pela volúpia
sobrepujam o clímax
rendidos um ao outro
por alguns instantes de prazer
inconsequentes,
tresloucados,
múltiplos.
Gozos...

Brisa fria.
Chronos sinaliza.
Os grilos retornam o canto.
A idealidade submete-se à realidade.
Razão.







sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Luto

O que irei compartilhar agora, passa longe de uma deliciosa ilusão, pois é algo concreto, real e triste.

Há pessoas tão especiais que parecem anjos na Terra e que por isso nos deixam cedo.
Tais pessoas, são incapazes de magoar alguém em sua vida.
Meu tio João era assim.
Ontem, 13 de setembro de 2012, foi o último dia de vida dele aqui conosco.
A dor é tão grande, que parece sucumbir meu ser, enfraquecendo meu corpo, inundando meu rosto de lágrimas por saber que não o verei mais.



... (choro, choro)... sem palavras...




quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Busca silenciosa




No silêncio do quarto
olho para um lado,
olho para o outro
e nada encontro,
além dos móveis
sem vida,
quietos.
O som do relógio na parede
mostra que o tempo não para
e que o calor que anseio ter aqui
é frio.
Meus toques em solidão
excitam-me,
deliram-me,
transcendem-me
aquecem-me adentro
esfriam-me a fora.
Lampejo,
desejo,
sol,
apelo meu,
presente seu.



terça-feira, 11 de setembro de 2012

Presa Fácil




Em seus braços sinto segurança
enquanto fora deles me perco como em um labirinto.

Em seus braços sinto aroma primaveril
enquanto fora deles o frio invernal assola-me
resfriando o calor do Ser.

Em seus braços é como se o tempo acelerasse
o que gostaria de eternizar.

Em seus braços a essência da vida torna-se evidente
enquanto fora deles não há razão de existência.

Em seus braços encontro guarida
para viver em dualidade no jardim de nosso mundo,
cúmplices, íntimos e mútuos
fora deles sou só o 'eu'.

Em seus braços sou a presa
fora deles, sou fera intocável
que para tê-lo ao lado torna-se frágil
faz-se até domável
para gozar as muitas primaveras
envolvida por tais braços.




sábado, 8 de setembro de 2012

Amor Possessivo - Ele Me Amou




Ele me amou.
Éramos dois adolescentes 
na descoberta da vida a dois.
Eu, uma menina pícara enclausurada,
ele, um rapaz sério e sonhador.
Ambos redescobrindo o corpo
o desejo,
a libido,
a si próprios.

Ele me amou.
Ríamos das entradas erradas
das cócegas instigantes
e acanhados tocávamos-nos no escuro.
Tudo era novo, gostoso, virgem.

Nele despertei o amor
a cumplicidade
o companheirismo
o sentimento de 'posse'.
Em mim, despertei a mulher
o instinto animal
a fome insaciável
a felina indomável.

Ele me amou
de forma possessiva
seu amor afastou minha tenção
meu desejo
minha vontade de viver
lançando ao vento meu sentimento
deixando na lua o que julgava ser sua:
minha identidade.

Ele me amou
mas eu não o amei
e na realidade dos fatos
larguei seus braços
que dantes carinhosos
doravante agressivos
deixaram o juízo
para comigo findar.
Hoje em outro colo repousa
aquele que um dia
jurou-me amar.
E eu, sozinha, caminho
com os frutos dessa descoberta
aliada à solidão
mas satisfeita por desvendar
a mulher guerreira que existe em mim.

Ele me amou,
mas eu não o amei
entretanto apaixonei-me pela independência do meu eu.







terça-feira, 4 de setembro de 2012

Plenitude Copular


Respira
inspira
expira.
Olhos libertinos
suspeitos.
Toques
carícias
sorrisos tímidos.
Olhos fechados
sentidos.
Beijo
lábios nos lábios
mordidas leves.
Mão na nuca
arrepio ousado
volúpia ardente.
Quimera!
Transcendência!
Prazer!
Calmaria.
Respira
inspira
expira
ciclo múltiplo.
Ledice
Sono
sonho.



domingo, 2 de setembro de 2012

Inocência Perdida




Gostaria de voltar à inocência
sorrir sem me preocupar com o que irão pensar de mim
viver como se homens maus existissem só na ficção
como se todas as pessoas fossem amigas.

Gostaria de voltar à inocência
pensar que todos os sonhos podem se realizar
acreditar que o amor é único e eterno
que família é só uma, a primeira.

Gostaria de voltar à inocência de outrora
e viver como se a aurora fosse para sempre.
Gostaria de regressar à mente inocente
e nela me prender para nunca mais sofrer!

Gostaria de voltar à inocência.



quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Cheiro do Pecado



Dizem que o pecado tem cor
dizem que é vermelho,
para mim, ele não tem cor
ele tem cheiro, o seu cheiro!
Quando inalo,
transcendo a matéria
abrindo-me para você.
Nesse ato
viro devassa
agarro
aperto
solto
empurro
viro
volto
uivo
puxo
falo
gemo
jorro
aleatoriamente
mutuamente
umedecendo-me por inteiro
não pensando em nada
que não seja você
e a plenitude do desejo
eu em você
você em mim.






segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Tarde Demais




Enquanto eu esperava um olhar seguido
de uma palavra de saudade,
tu vagavas em outros campos com outras flores.
Ao perceber que nenhuma delas te entendia como eu entendo,
vieste procurar-me,
mas chegaste tarde.
Tarde, não porque já deixei de amá-lo,
tarde, não porque já amo outro,
Mas tarde porque aprendi a amar a pessoa do outro lado do espelho mais do que a qualquer outra.
No início doeu, mentiria se dissesse que não,
aliás, ainda dói nas reminiscências

(essa voz deliciosa em meus ouvidos,
esse cheiro másculo em meu olfato,
essa pele alva em meu corpo,
esse instinto cálido junto ao meu...)

Superei!
A cicatriz que hoje tenho
servirá para lembrar-me de valorizar o 'eu'
antes de amar outro alguém como amei você!



sábado, 25 de agosto de 2012

Brisa






Sinto na brisa que toca meu rosto a esperança de amar novamente
ou de simplesmente amar em recíproca apetecida alguém que mereça esse amor.




terça-feira, 21 de agosto de 2012

Carência



Estou carente dessa voz sussurrante em meus ouvidos,
desses dedos dedilhantes em meus cabelos,
desse beijo quente em minha boca,
desse seu calor em meu corpo.

Eu estou carente de você!

Minha carência envolvente
instiga desejos alheios
ao esvair feromônio por você.
Venha, venha me ver!

Eu estou carente de você!




domingo, 19 de agosto de 2012

Domínio Noturno





Seu respirar rompe o silêncio da noite
fazendo-me sentir seu calor
envolvendo-me com seu aroma
intumescendo meu seio,
aquecendo meu colo,
instigando meu desejo,
deixando-me com água na boca!
Meu corpo grita por você
cálido anseia mais que o toque
arrepios antecedem o gozo
seu olhar penetra-me com seu corpo
o êxtase domina a razão
não penso em  mais nada
a não ser na satisfação de meu ser,
e em você, meu Baco.







quarta-feira, 15 de agosto de 2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Escravidão



Antes de seu casamento com Carlos Rendes, Cris Ellen viveu várias aventuras que  ficaram mascaradas na figura de uma dama. A primeira  delas ocorreu quando retornava de seu trabalho para casa na condução habitual. Cris viajava tranquilamente quando ao olhar para o retrovisor seus olhos encontraram os do motorista. Ruborizada, abaixou sua cabeça e por vezes voltava seu olhar na direção do retrovisor em busca daqueles olhos penetrantes que no meio de tantos passageiros, cismou logo com os seus. Naquele dia, devido a troca de olhares, Cris esqueceu de descer no ponto como de costume e quando deu por si estava sozinha com o motorista que a enfeitiçou com aquele olhar. De repente  o veículo parou:

- Minha querida, sente-se aqui no banco da frente, percebo que está tensa, posso ajudar? - Disse o tal motorista olhando com ar misterioso para Cris.
- Não, obrigada, estou bem. - Respondeu com a voz trêmula.

Sem esperar a frágil moça terminar sua fala, aquele motorista saiu de seu lugar e foi até ela. Despojado sentou-se ao seu lado e começou a deslizar as mãos sujas de graxa em seu delicado corpo, Cris receosa mas fascinada pelo jeito macho daquele homem e não sabendo o porquê, mas envolvida pelo cheiro de graxa, foi sentindo algo diferente dentro de si, um arrepio no corpo todo e principalmente uma sensação de umidade incontrolável, ficou excitada! Entre um toque e outro, gemidos, sussurros de prazer, arrepios,  vislumbramento por algo ainda não sentido por ela; aquelas mãos navegando em seu corpo, uma no cabelo e a outra na virilha, quanto mais ele tocava indo, mais ela vinha, seus olhos como de uma felina olhavam para aquele macho, que já hipnotizado queria colher do que havia plantado naquela mente feminina pedindo mais, mais e mais das empolgadas cavalgadas, de suas chupadas, de suas sugadas, de suas loucuras, de sua entrega. Enquanto ocorria esse voluptuoso momento dentro do coletivo, pessoas trafegavam pela rua e estranhavam o movimento do mesmo com um vai e vem, mas não se atreviam a ver o que realmente acontecia dentro daquele veículo que, mesmo com insulfilme, resmungava com suas janelas suando, seus vidros embaçados e seu aspecto cansado. Mas ninguém podia ajudá-lo, afinal seu suposto dono estava dentro dele. Então nada mais a fazer do que esperar. A essa altura, Cris Ellen, não era mais a pacata passageira, mas a mulher descoberta por aquele motorista, uma mulher faminta pelo instinto e que se deixou levar pela insanidade momentânea do cheiro de graxa daquele homem que, ao contrário do que parecia no início, transformou-se em seu escravo.





sábado, 11 de agosto de 2012

Banquete Angelical


Como anjo banha-me com óleo celeste
acalma meu instinto faminto por ti.
Durante meu sono, venhas e banha-me
porque se vieres em meio ao dia
não fugirás de minha fome
serás meu banquete,
meu prato principal
com entrada aperitiva aromática de desejo
e sobremesa saborosa de gemidos.
Correrás esse risco?



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Rendição


Não, não vou me render
àqueles olhos verdes
como matas paradisíacas
e florestas selvagens!

Não, não vou me render
àquele aroma amadeirado
junto ao frescor matutino
envolvendo meu sentido!

Não, não vou me render
àqueles jeito interiorano
de macho provocante
todo amante!

Não, não vou me render
àqueles braços aconchegantes
e acolhedores
aquecendo-me no inverno!

Não, não posso me render
pois nunca deixei de pertencer!








terça-feira, 7 de agosto de 2012

Amante



Reclinada em meu leito
anseio seu calor
seu toque em minha pele nua
subindo dos pés à boca
degustando meu corpo
puxando meus cabelos
abduzindo minha razão
entrelaçando meus dedos
fundindo os lábios
mordendo o desejo
jorrando prazer
pairando nas ondas da liberdade
do mar transcendente do Ser.
Eu quero você!







sábado, 4 de agosto de 2012

Mechas



Meu cabelo
Suas mãos
Minhas mechas
Seus dedos
Arrepios
Carícias

Eu fora do ego
Expiro
Você dentro de mim
Inspira
Alma em mecha.

Glória em senti-lo!
Inglória não tê-lo.



quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O Segredo de Uma Entrega Total





Aquela parecia uma noite de amor igual as demais, Carlos Rendes buscando-a no trabalho para levá-la em casa como de costume. Ao entrar no carro Cris Ellen foi surpreendida por um beijo como há muito não acontecia. Seu marido sugou-a com tanta volúpia que não parecia o mesmo homem com quem convivia há 10 anos. Achou estranho e só soltou um '-Hum que delícia!' para não quebrar o encantamento e, seguiram calados, mas com ar de expectativa, pois algo estava diferente. Depois de anos, Cris Ellen via seu companheiro tratá-la com prazer, uma ledice que só aconteceu nos primeiros meses do romance. Quis então aproveitá-lo e decidiu dentro de si, em um monólogo interior, que faria tudo com entrega total, sem reservas, pois afinal ele é seu amor, seu homem, seu macho! Quando entraram em casa, Cris Ellen foi ao toalete trocar de roupa e colocar uma lingerie. Qual a surpresa quando saiu:  Carlos Rendes estava nu! Vestia apenas uma cueca vermelha. Espantada  refletiu mais uma vez no que poderia estar acontecendo. Mas isso ficou só no pensamento, afinal, queria sentir tudo que parecia estar por vir. Conversaram alguns assuntos do dia e inesperadamente ele tocou seus seios entumecidos com os lábios, arrepiou-a por inteiro, provocando umidade desde 'em cima até embaixo', e Cris Ellen babou e, babou e babou! Ai... Em seguida Carlos Rendes foi descendo e beijando e descendo e sugando... A mulher ainda não acreditava no que acontecia: 'Meu homem, acariciando-me por inteiro sem apelar para as rapinhas do dia-a-dia ou por um acessório para apimentar. O que havia acontecido?' - pensou  até chegar a uma conclusão: '- Vou aproveitar cada momento como se fosse o último, pois não sei o que ocorre, mas sei que é gostoso demais!' Foi quando começou a deliciar aquele homem que amava, mas que pelo cotidiano haviam se afastado de momentos como aquele. Sua entrega foi total, a cada beijo um aspirar fundo e satisfatório, cada carícia por mais selvagem que fosse era bem-vinda, variavam as posições sem falar, conversavam com o olhar, seus corpos formavam um outro corpo uno de dois, um terceiro ser capaz de transcender a razão e ecoar emoções pelos poros, pelo respirar, pelo vai, pelo vem, pela intensidade, mas principalmente, pelo desejo de estar um no outro inteiramente com as químicas naturais que dantes possuíam muito e, que pelo comodismo, deixaram de produzir com mais frequência, Entretanto, naquele momento afloraram e como afloraram! E mais... naquele instante conheciam-se mais a si mesmos podendo reconhecer-se um no outro e reciprocamente doar-se por inteiro! Ficaram deliciando-se durante toda a noite e só deram conta da hora com o raiar do sol que penetrava pela brecha na janela. Ambos não acreditavam que pudessem se amar daquela forma incessante, mas Carlos Rendes confessou para Cris Ellen o que havia acontecido, um amigo havia perdido sua esposa naquele dia em um acidente de carro vindo à óbito na hora. No instante em que viu seu amigo sofrendo a dor de sua perda, ocorreu-lhe que o mesmo poderia ter acontecido consigo. Com isso, foi desesperadamente ao encontro de Cris Ellen para amá-la na esperança de nunca perdê-la.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Saudade, fica.





Pela correnteza do rio,
flutua a imagem,
pelo leito a fora vai se desfazendo
enquanto voga,
esvai a essência saliente
daquele que não teima ser o meu amor
Vai-se.
 Adormecendo a sensação
e deixando vestígios em uma saudade.
Fica.



segunda-feira, 30 de julho de 2012

Perfume





Ao longo de saudades apareces.
Chegas exalando teu perfume de macho
o qual aspiro com meu ser!
Meus poros anseiam teu suor,
que a secura do tempo
teima em esvair.
Tua pegada certa em minhas curvas
baila, brinca, brinda
na seriedade do fato beber a ausência
reviver nossa carne
aflorar nosso desejo
em uma chegada.



sábado, 28 de julho de 2012

A Ninfa e o Elfo








Era uma madrugada fria e silenciosa,
Bela e misteriosa como todas as noites outonais.
Em seu vestido místico, as silhuetas sensuais noturnas
Transpareciam o desejo pela transcendência
Da Terra para a Lua
Em uma constelação nua

Envolvida por esta atmosfera estava eu
Viajando em sentidos reminiscentes
Banhada pela esplêndida Natureza!

De repente como magia
Uma mensagem chega despertando euforia!
O que eclodia dentro do meu peito
Meu elfo, sentia em seu leito.
Era como se nossos corpos entrassem em sintonia
Em busca de uma sinfonia plena
Na mesma fantasia com muita harmonia
Mas em pensamento, delírios e
devaneios insanos intocáveis.

Mas o tempo tornou-se nosso aliado
E em instantes estávamos próximos um do outro.
Dentro um do outro!
Sentindo um ao outro!
- A Ninfa e o Elfo.

Na academia natural do instinto
Estávamos nós, os amantes absintos,
Banhando-nos famintos e buliçosos
Com a brisa da madrugada
Tendo por testemunhas as estrelas no céu
O vento no ar e a visão lunar.


24.04.12




terça-feira, 24 de julho de 2012

Essência






No instante de agora fecho os olhos
Através de sensações intrínsecas posso sentir
no toque da brisa suave a sua presença.
No vento, o bálsamo envolvendo meu ser,
não mais sou eu, somos nós, é você!

Razão de minha existência, minha raiz vivificante
o ar que necessito expirar
o alimento que preciso para subsistência
o motivo da rima em existência.

Teus sussurros deleitam-me esculturalmente
perfumam o ambiente, misturando-se ao silêncio
clareando as paredes testemunhas do nosso momento
nutrindo a essência de nosso instinto.

Ao abrir os olhos, respiro profundamente a realidade
oxalá a distância quilometrada não afaste nossas almas
quiçá arrefecidas na matéria
mas estivadas no amor de nosso desejo mútuo.


domingo, 22 de julho de 2012

Paradisíaco





Estávamos no paraíso.
À beira de um riacho você me umedecia com seu toque bailante
enquanto como um animal, eu escumava molhando-te.
Como a corsa ansiando por água
eu instigava nosso querer, além do querer, mais que o querer
em tudo para tê-lo dentro de mim.
Quanto mais toque, mais vontade, mais umidade, mais mais.
Nossa boca saboreava-nos nus
minha língua deslizava em sua aréola
suas mãos entranhavam meus cabelos
perdendo-se dentro deles.
Minhas unhas subiam e desciam em suas costas,
causando arrepios.
Sem percebermos transcendemos o tempo
o rio, a água, a matéria, o eu, o você.
Singular.
Ledice una.
Indescritível.
Nossa loucura intensa e mútua esvaiu nosso sentido humano
enquanto o rio levava em seu leito
o néctar de nosso fruto amoroso.



sábado, 21 de julho de 2012

Amadurecimento



Em uma cidade do interior mineiro vivia Aryane, uma menina muito alegre, delirante e obsoleta , que pensava ser esperta, mas só pensava! Sua ingenuidade não lhe permitia ser. Mal matutava já havia feito ou falado algo que lhe constrangia deixando-a em maus lençóis por consequência. Enfim, era muito impulsiva. Sua imaginação era muito fértil, vivia conversando com Lisa, uma amiga que só ela enxergava. Passavam a maior parte do tempo brincando de ver placas de carros, o número 55 era o predileto de Aryane, significava 'ele te ama'...rs... coisas de crianças, mas até certa idade! Pois é, a pequena crescia e com ela Lisa, mas nada era diferente. O corpo de ambas já apresentava características de mulher, os olhos masculinos já cobiçavam Aryane, que por sua vez não os enxergava. Sua mente era pura, sem mácula e sem maldade, cândida até que em um encontro de jovens em sua comunidade seu olhar abalroou no olhar de Dinho, um músico quatro anos mais velho do que ela. Foi amor à primeira vista, Aryane estava com quinze anos, mas escondeu esse sentimento novo de Lisa, tinha receio que sua amiga brigasse com ela. Mas como resistir a algo vindo sem querer? É! Sem querer! Aryane e Dinho viviam um amor cândido, sentido apenas no olhar e cada vez que se encontravam Lisa ia ficando de lado, mas não reclamava somente afastava-se. Vendo sua amiga esvair-se no tempo com outra pessoa, mas era amiga e amigos não reclamam, não cobram, apenas são amigos e só! Aryane não percebia que perdia sua amiga a cada encontro com Dinho. Somente deliciava cada momento com o novo, com o amor. Dinho havia penetrado em seus poros, entranhado em sua carne de tal forma que não mais respirava sem pensar nele. Bailavam buliçosamente no ritmo orquestrado pela natureza amorosa, ambos se descobriram, desnudaram-se em sentimento mútuo devastando qualquer obstáculo que se opusesse a eles. Amaram-se. E nesse amor, Lisa desapareceu. Nunca mais Aryane a viu. Mesmo quando rompeu com Dinho, Lisa não apareceu. Foi quando percebeu que havia crescido, desabrochado e amadurecido a ponto de deixar a ingenuidade para trás, Lisa.



quinta-feira, 19 de julho de 2012

Não Me Ame Mais



Ao sair pela porta senti sua dor.
No olhar, a decepção que outrora era minha.
Uma lágrima fugindo do destino que a trazia.
Em silencio permanente esvaiu nosso momento.
Gemi seu ar em meu seio entumecido
Toques e sussurros insuspeitos.
Evidências obnubiladas.
Só você não sabia, ou não queria saber,
mas eu me despedia.
Não me ame mais.






quarta-feira, 18 de julho de 2012

Barganha Amorosa



Está frio aqui fora
assim como em seu interior.
Seu corpo quente
ardente
envolvente
suga de mim
desejo
vontade
amor!
Seu beijo enlouquece-me.
Sua voz arrepia-me.
Ao mesmo tempo que une
afasta-se
não obstante
razão
emoção
coisas do coração.
Você não me quer amar
quer apenas desfrutar
por uns instantes.
É uma troca
momentos de prazer
por momentos de atenção.
Parece esmola
mendicância.
Você não me ama,
só me deseja
sou uma válvula de escape.
É algo que transcende seu ego
no íntimo você gostaria
de ter amor por mim
mas seu amor-próprio
é maior, bem maior do que outro sentimento.

Não sei até quando vou suportar...

PS. Me ame?




terça-feira, 17 de julho de 2012

Estreando a Vida


Na Vila dos Mascates, mora uma senhorinha muito simples, trabalhadora, mãe de três filhos, solteira e que
já não sonha mais com um grande amor, decepcionou-se cedo com vários homens em sua vida, dos quais resultaram a gestação de seus filhos (único motivo que move sua vida - ser mãe). Certo dia ao passar por uma estrada de terra, avistou Val, um homem bem mais velho, desprovido de beleza, mas charmoso e sedutor, o qual fez com que  flutuasse em sentido ondulatório naquele lugar, explorando cada parte daquele homem misterioso, ela se via sendo explorada também, mas conduzida sob efeito de uma tal hipnose consciente (acredito que no fundo era o que ela queria, flutuar sem ter que dar explicação e deleitar-se no instinto que a cobrava incessantemente). Ali, aquele desconhecido e instigante homem, revelou na senhorinha uma mulher que nem mesmo ela sabia existir; sua vida resumia-se aos filhos, esquecendo-se ou não querendo lembrar que dentro dela havia uma mulher felina necessitada de jorrar seus desejos e ansiosa por uma presa... Val, despertou esse instinto! Acordou o que estava adormecido e deliciou-se naquele corpo virgem de fantasias, de fetiches, de posições, de diferentes diferenças. Ela, por sua vez, tentava entender o que estava acontecendo consigo, era como se tivesse perdido as rédeas de seu corpo, seu lado acalentado domou aquela matéria quase insignificante e a fez tomar posse da Mulher que aflorava. Que sensação extraordinária. Que ordinária!  No auge do envolvimento, seu celular toca quebrando aquele clima voluptuoso de descoberta por si mesma... Do outro lado da linha um de seus filhos. Pronto! Eis a realidade. Vestiu-se correndo. Parou um momento. Refletiu o ocorrido. Olhou para seu interior e notou que não era mais o mesmo, havia algo diferente agora, algo inexplicável, porém sentido profundamente. Ajeitou o coque pegou o dinheiro que Val dera pelo desempenho e retornou para sua casa.





Recomeços



Às vezes, o desespero parece ser a única motivação
para uma ação em um momento inerte.
Aliada a ele vem a vontade de desistir,
de deixar a vida correr sem
movermos uma palha para tal façanha.
No decorrer desse caótico sentimento
o instinto grita o que não queremos ouvir
salta de nosso interior
querendo enlouquecer com as evidências
de uma escolha errônea
ou somente de mais uma escolha
não que seja errada ou que não seja a certa.

Paramos.
Refletimos.
Sentimos.

Prosseguimos dali mesmo
recomeçando o trajeto rumo
ao fim ou ao começo da vida.

Foi só um momento de insanidade
uma crise existencial
passiva a todo ser racional.




segunda-feira, 16 de julho de 2012

Cavalgada




Rendi-me,
no auge da montanha
com o vento trazendo
fulgores de nós
que ao invés de refrescar,
ardia como brasa!
Percebi que
cavalgávamos incessantemente.
Em minutos transcendemos
nossa razão
deixamos o nós,
transformamo-nos em uno.





domingo, 15 de julho de 2012

Mulher depois dos 30



Converso bastante com minha agenda, um livro antigo com capa marrom e figuras românticas; e hoje
amanheci com sua falação. Por mais que eu diga não, ela é muito insistente e faz de tudo para me convencer da cândida menina que fui um dia e que nunca mais serei. Hoje, ela foi muito detalhista ao contar-me os sonhos que eu tinha quando não sabia os sofrimentos que isso poderia causar devido às expectativas criadas pelo meu ego. Lembrou-me de que aos treze anos já amava um rapaz mais velho do que eu. Não deixou passar o bullying que sofria na escola por usar uma saia enorme e ser 'CDF', sendo até premiada pela instituição de ensino na época pelas notas excelentes durante os 4 anos ginasiais. É! Realmente eu era brilhante! Só não tinha consciência disso, eu acho! Entretanto, minha agenda não deixou de comentar minha solidão, apesar de ter tido uma amiga que também era excluída pelos colegas da escola por ser extremamente magra (acho que só isso nos aproximava, o fato de sermos excluídas). Minha agenda foi muito cruel comigo, porém ao analisar bem os fatos que expôs, eu pude responder às acusações de culpabilidade pelas expectativas à 'querida' agenda. Observei cada fase que vivi e cheguei a seguinte conclusão: da velha infância guardei algo ruim, o medo, da adolescência reservei a vergonha, da fase adulta/casada, retive o preconceito e na fase adulta/divorciada presencio o viver. Em cada fase uma mulher, uma guerreira, uma vivente ou sobrevivente. A agenda até tentou argumentar mostrando meus sentimentos de revolta e a quantidade de anos em minhas costas, mas não funcionou! Em cada etapa vivi o que deveria ter vivido, porém diferente do que acontece com os homens, nós mulheres somos como vinho, vamos envelhecendo e ficando melhores, mais gostosas e mais refinadas (a maioria). Juro que a agenda quase me pegou de jeito, mas fui mais esperta! Eu cheguei a pensar que em meus trinta anos seria uma jovem senhora a reclamar da vida, por não ter mais aquele belo corpinho de dezoito anos, mas... ledo engano! Hoje ultrapassei os trinta e assim como disse à minha agenda, digo aqui, estou muito mais gostosa, muito mais madura e mais consciente do que antes! Não é o corpo que faz a mulher, é a mulher que faz o corpo! Sei o que faço, como faço e quando fazer. Mas, para não ter mais aborrecimentos, entrei em um bom senso com minha agenda, nela continuarei a escrever minhas intensas vivências se ela parar de me remeter à infância. Ela concordou, espero que cumpra.



quinta-feira, 12 de julho de 2012

Inverno Oscilante




Seu olhar penetra-me como flecha
como um punhal corta direto ao coração
deixa-me trêmula
irracional, devoluta.
Seu ar esquenta-me por inteiro
o clima invernal dá lugar
às ilusões estivais pelas quais
enlouqueço-me
entregando ao desejo
de seu momento
todo o meu monumento.

Maldito inverno!

Aqueço-me em seus braços
por um instante
mas rasgo-me no frio eterno
fora dele.



segunda-feira, 9 de julho de 2012

Múltiplos



Onze horas da noite e nada!
A hora parece não passar.
Meia noite e meia, e minha vontade só aumenta
e junto a ela minha ansiedade.
Uma hora da madrugada,
meu corpo está como brasa
o suor cobre minha pele
as batidas do coração aceleram a cada instante
com os movimentos da sofreguidão,
minhas mãos não param
inquietas disparam devaneios
pensamentos insanos dominam minha mente
os gemidos soam como perdidos sendo achados
toco-me intensamente
volúpia e loucura
loucura e volúpia
volúpia e loucura
e em múltiplos sentidos entrego-me!
Sou escrava de mim mesma.

Bonança.

Perdi a noção do tempo em tantos delírios.

Satisfiz-me em mim.
Encontrei-me na solidão.





Amar é...




O amor é tão fácil
tão puro 
tão gostoso
tão tão
que não há explicação.

Há tantas definições para o amor
mas nenhuma se compara a senti-lo.

Amar também é respirar
tocar
ser
ar

Amar é olhar
observar
lembrar
ouvir
é ter não tendo.

Amar é delirar
desejo
entrega
é transar sem culpa
é se dar à volúpia
e recebê-la em troca.

Amar é sentir o tudo no nada
mesmo o nada sendo tudo.

Amar é amar
e nada mais.








sábado, 7 de julho de 2012

Disputa Oculta



Amando tudo sem amar nada
vivo o hoje com o que aprendi ontem.
Aprecio a independência
flutuo pelas calçadas
admiro a vida.

Você perdeu!

No espelho o monumento.
A autoestima exala segurança
e o sorriso maroto gostoso
que ameaça mas não sai
transmite sensualidade.

Você perdeu!

Pensamentos soltos
revelam amadurecimento
minha ideologia
meu ego
meu Eu.

Você perdeu!

Pensou que eu não fosse capaz.
Entretanto, prossegui.
Hoje, você quer o que ontem desdenhou.
Mas, eu cresci!
E esqueci de lembrar de você.
Pena.

Eu ganhei.




sexta-feira, 6 de julho de 2012

Devasso Coletivo


Andando em um coletivo no centro do Rio de Janeiro, fiquei a observar todas as pessoas que minha vista podia alcançar, as donas de casa estendendo roupas, as crianças correndo de um lado para o outro, trabalhadores na correria para o trabalho, os automóveis conversando em uma competição mútua pela chegada a um ponto qualquer, casas pedindo socorro pelo estado crítico que se encontram, ruas gritando chuva pelo ardor do sol em sua superfície, cachorros a míngua, passageiros dormindo e eu ali, sonhando acordada... Vendo tudo isso, meu coração palpitava de satisfação pela vida que vivo, e mesmo em plena movimentação meu instinto estava acordado.  Fixei o olhar em uma moça que seu corpo transparecia o desejo, seu ego parecia manter um monólogo interior querendo entender o porquê que mesmo na turbulência de uma cidade grande seu corpo pedia o corpo de Morfeu. Com tantas distrações, com tantas atrações, com tantos tantos seu instinto gritava por carne, por satisfação da libido. Em meio a muitos eus, ela estava excitada  e chamava por ele. E para minha surpresa, ele apareceu! Não se ouvia mais o conversar dos automóveis, os burburinhos das pessoas, os gritos infantis, enfim, ela só ouvia Morfeu em si. Embriagados de devaneios voluptuosos fingiram esquecer serem iguais ao resto do  mundo e se entregaram ao clímax de seus sentidos, seus corpos caminhavam de acordo com as sinuosas ruas, a temperatura oscilava mas não abaixava, pareciam cada vez mais próximos do sol e mais longe da Terra...Mas esse parecer era momentâneo, fitava em vir e ir, ir e vir, vir e ir, ir e vir... até que... ficou e a calmaria da quimera dominou aqueles seres indomáveis. E a rotina retornou no grande centro carioca e eu voltei a sonhar acordada naquele devasso coletivo.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Despindo-me de Mim








Necessito de você.
Neste momento despido-me de mim mesma para tê-lo todo em mim.

A Lua está mais brilhante do que dantes.
Será seu reflexo nela?
É uma prévia de sua chegada?
A atmosfera já se encontra aquecida,
meu desejo é fogo ardente
queima feito o Sol
e não cessa!

Apeteço sentir seu corpo nu.
Não se preocupe!
Meu Sol irá aquecê-lo na volúpia da amálgama.

Quantas expectativas na espera.

Quando você virá?
Meu Sol arde sem cessar até que venha uma rotação
e tire-o de mim.
E o que restará?
O breu de mais uma escura noite de decepção.
O frio de mais um Só de mim.

Mais um dia sem você.





quarta-feira, 4 de julho de 2012

Homenagem a alguns blogs

Resolvi homenagear alguns blogs que me encantam, fazendo este selo e presenteando-os com o mesmo.
Tocaram e tocam meu coração, apesar de estarmos em um mundo virtual, somos humanos e possuímos calor, sintam-se abraçados por mim, Jaqueline.




Poesía y Vivencias, com Pedro.
Blog Arena Fama, com Palácios.
Rimas do Preto, com Sandro.
Meu Único Mundo, com Laudy.
De Dentro pra Fora, com Elaine.
Posts à Beira Mar, com Milton.
Humor em Conto, com Cissa.
Living my life, com Maarit.


Devaneios de um Rockstar


Sinto como se teus dedos dedilhassem meu corpo
como se tua mão deslizasse em minhas curvas
como se tua essência fosse meu eu
como se as ondas musicais fluíssem de nossos movimentos
como se na melodia buliçosa bailássemos
na volúpia unindo desejo, instinto e rock in roll.


Mas é apenas um querer
quiçá um delírio
um devaneio
pois quem dedilhas
quem tocas
quem sentes,
é a guitarra e não eu.


terça-feira, 3 de julho de 2012

Vento

Venha com o vento para junto de mim, amor!
Toca-me suavemente.
Como a brisa, apalpe minha pele.
Arrepia-me como o frescor em meu corpo.
Venha.
Venha.
Venha!
Estou esperando-te.
Venha...



segunda-feira, 2 de julho de 2012

Geneslipse



Gênesis da Vida.
Dia como pista.
Noite como descanso.
Sorriso aberto.
Vida empolgante.
Poucas responsabilidades
Escolhas sendo feitas
Ânimo em êxtase.
Fase decisiva.
Vida,
labuta.
Labuta,
vida.

Tapetes puxados.
Frustrações de escolhas.
Mente Comprometida.
Anos passando e pesando.
Rugas marcantes.
Sorriso Fechado.
Maturidade premiando.
O Tempo não para.
O Tempo não perdoa.
Oportunidades esvaem.
Decepções cada vez mais comuns
fazendo parte da vida
que apesar das frustrações
continua em direção ao Apocalipse.



quinta-feira, 28 de junho de 2012

Borboletas




Expectativas.
Expectativas.
Expectativas.
Por mais que não queira 
elas teimam em aparecer.

Na negatividade
retiram o chão
abrem abismos
fecham o céu
trancam o mundo
frustram o ego
acaba o Ser.

Na realização
borboletas no estômago
resumem a sensação.



quarta-feira, 27 de junho de 2012

Embriaguez





Embebida por sensações
que transcendem a razão
esvaio todo o meu ser em puro desejo
exalando pelo ar a olência do instinto
Fico tonta, perco a noção do tempo
me perco em múltiplos orfeus que aparecem
no vai-e-vem das sensações sinuosas
dessa embriaguez.

Tento racionalizar a situação
procuro ater-me em mim mas é inútil.
o que fazer
se nas veias corre o vício
se na razão falta o raciocínio
será um ato falho da embriaguez?

Não será Himeneu, Aristeu
ou qualquer outra ninfa ou deus que me fará sóbria,
pois embriago-me de você, só de você, Orfeu.




segunda-feira, 25 de junho de 2012

Retorno Lúdico







"Eu havia parado de sonhar,
de sonhar com amor
com pessoas humanas
com sucesso
com um homem ideal
até perceber que mesmo não vendo exemplos
em um mundo capitalizado e egocêntrico
o que me motivava eram os sonhos
e decidi voltar a sonhar.

Sonhar traz-me conforto mesmo em selva de pedras
traz-me esperança em dias fúnebres.

Sonhar é o combustível da vida.

Voltei a sonhar".



domingo, 24 de junho de 2012

Martha Medeiros - Pedaços de Mim


Estava refletindo em leituras poéticas, mais precisamente Martha Medeiros que tanto admiro e encontrei pedaços de mim em "Pedaços de mim".

Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante


Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.

Martha Medeiros
*Imagens: Google