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| Sophia de Mello B Andresen Poeta |
A língua e os seus usos nem sempre primam por explicações
lógicas. No caso em apreço, eu diria que a explicação é sociológica, ou melhor,
sociolinguística.
Como a consulente refere, as gramáticas indicam, como
feminino de poeta, poetisa, pelo que não há, do ponto de vista meramente
gramatical, qualquer razão para se atribuir ao vocábulo poeta uma
característica que a gramática lhe não consagra, ou seja, a de ser uniforme
quanto ao gênero.
Todavia, algumas mulheres com veia poética reconhecida
intitulam-se a si próprias poetas. Inclui-se nesse grupo Sophia de Mello
Breyner Andresen, falecida no dia 2 de Julho de 2004. Para Sophia, poetisa não
era verdadeiramente a forma feminina de poeta, pois atribuía às mulheres um
estatuto de menoridade face aos homens com idêntica atividade. Se
consultarmos os dicionários, nada há de explícito que confirme um sentido
depreciativo associado à palavra poetisa. Vejamos no entanto o que se diz em
cada um dos verbetes no dicionário da Academia:
Poeta […] Escritor cuja forma de expressão literária é o
verso.
Poetisa […] Mulher que escreve poesia...
Poderá esta definição ser problemática? Não sei. O que é
verdade é que neste Verão marcado pela perda de Sophia de Mello Breyner
Andresen, talvez em sua homenagem, muitos jornalistas preferiram usar o termo
poeta como uniforme. O que acontecerá a seguir? A sociedade e o uso ditarão se
a palavra poetisa se perde ou se ganha sentidos diversos do que hoje lhe é,
ainda, reconhecido.
Teresa Marto - Bélgica








Diante de tal histórico, sou poeta!
ResponderExcluirHi...
ResponderExcluirNice blog, good luck.
Thank you!
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